A batalha de Obá e Ogum

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Uma vez banida do reino de Xangô, Obá se transformou numa guerreira poderosa e perigosa. Costumava vencer todos os seus opositores com relativa facilidade.

Obá também possui grande beleza física, que, aliada à sua determinação, coragem e equilíbrio, fazia dela uma pessoa especial.

E o desejo de possuir tão bela e corajosa guerreira, levava muito a se confrontar com ela, mas saíam sempre derrotados. E a notícia chegou até Ogum, rei de Ire e, guerreiro invencível.

O mensageiro trouxe a notícia:

– Meu senhor, ela é invencível!

– Eu sou invencível!

Rebateu Ogum, ao mensageiro.

– Mas ela é poderosa. Ainda não foi derrotada, Senhor!

– É porque ela não enfrentou Ogum!

Disse o próprio.

E Ogum mandou que seu mensageiro fosse avisar a Obá que ele, Ogum, iria enfrentá-la, derrotá-la e possuí-la.

Obá recebeu a mensagem e retrucou:

– Que assim seja…

Ogum partiu de Ire, em busca de sua poderosa adversária e tinha em mente tomá-la para si. No campo, onde a luta seria travada, Ogum chegou primeiro e, como bom caçador, montou a armadilha para derrotar Obá.

Mandou que seus homens triturassem uma grande quantidade de quiabo e passassem pelo chão.

Assim, Obá não conseguiria ficar de pé e seria facilmente vencida.

A hora chegou.

Ambos estavam presentes ao campo de batalha.

De um lado Ogum, o guerreiro violento e imbatível, do outro, Obá, a guerreira bela e invencível.

No meio, entre um e outro, a armadilha preparada por Ogum.

Olharam-se, estudaram-se e Obá tomou a iniciativa.

Partiu para cima do adversário, sem perceber o quiabo espalhado pelo chão. O tombo foi imediato. Obá não conseguia firmar-se de pé, Ogum, que a tudo observava, lentamente dirigiu-se à sua adversária, empunhando a espada.

Obá, sentindo que seria vencida, num rápido movimento, puxou Ogum para si, fazendo com que o guerreiro também escorregasse e caísse em sua própria armadilha.

Foi uma grande luta!

Não de cruzamento de espadas, mas para ficar de pé.

Durante horas e horas tentaram os dois, em vão erguer-se e derrotar o oponente, mas não conseguiram ao menos colocar os dois pés no chão, sem escorregarem em seguida.

Lutaram até a fadiga total e declararam um empate.

Não havia vencedor nem perdedor.

Ogum, o invencível, não conseguiu vencer Obá, por sua vez, Obá não conseguiu derrotar o poderoso Ogum.

Ali mesmo amaram-se, em respeito à força e ao encanto do outro.

Afinal, são dois verdadeiros guerreiros.

Ogum ainda tentou levá-la para si, mas o coração de Obá pertencia, pela eternidade, a Xangô.

E ela partiu para encontrar seu próprio destino, mesmo com dor no coração.



Charles Corrêa D’ Oxum

Axé a todos e que os orixás abençoe a vida de cada um hoje e sempre.
Lembre-se:
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.


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