Lágrimas de um Pai de Santo

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O Pai de Santo pede para dois filhos buscarem folha no mato. Mas, antes dos meninos saírem, avisa:

– Nada de conversar com aquela velha maluca.

Ela fica naquela janela reparando tudo e todo mundo que passa na frente da casa dela e gosta de ficar assustando.

Aquela doida diz para todo mundo que é mãe de Santo!

Coitada! Não tem nem onde cair morta e não sabe nada!

De cabeça baixa os dois filhos ouviram as ordens do Pai de Santo e seguiram em busca das folhas.
Duas horas depois chegaram, entregaram as folhas para o zelador, que meio desconfiado, perguntou:

– Vocês não falaram com aquela velha, falaram?

– Ela nos chamou e não tínhamos como deixar uma senhora como ela falando sozinha, meu Pai.

Dê agô, mas falamos sim.

– E vocês viram como aquela maluca vive! Uma pobreza de dar dó! Quem é que vai querer ser filho de Santo daquela doida! O povo tem até medo de ir lá! Vocês viram alguma coisa de diferente lá?

– Vi sim, Pai!

– O que você viu menino, conte logo!

– Eu vi que nós aqui temos um cachorro preso no canil e lá eles têm quatro que vivem soltos e felizes. Eu vi que aqui nós temos uma piscina que o senhor só deixa seus amigos e alguns filhos de Santo ricos tomarem banho e lá eles tem um riacho onde todos entram e todos se banham, sem qualquer distinção.

Eu vi que aqui nós temos muitas mesas, algumas ricamente decoradas e outras sem nada, enquanto lá todos comem juntos, na mesma mesa e da mesma comida. Eu vi que lá todos tem um carinho enorme pela velhinha, que trata todos os filhos com o mesmo amor, sem se importar com o que eles são ou o que ele tem.

Eu vi também que a nossa casa tem chão de cerâmica e teto de telhas portuguesas, enquanto lá o chão é de terra e o telhado é furado, mas, mesmo assim, eles se encantam com as estrelas e com a lua! Eu vi também que aqui tem cadeado em tudo e que nosso quintal vai só até o portão, mas lá eles têm uma floresta inteira e o mundo como limite.

Eu vi também que lá eles conversam coisas úteis, não falam mal de nada e de ninguém, se defendem como família e se amam como irmãos. Eu vi também que os Orixás lá são diferentes dos daqui eles são simples, se vestem de chita, e lá quando os Santos abraçam os seus filhos, eles choram de alegria e de felicidade.

Eu vi que lá eles não ficam tirando foto para postar nas redes sociais durante o batuque como fazemos aqui, lá eles tratam o sagrado como segredo e guardam os melhores momentos na memória para depois conversarem todos juntos, enquanto admiram as estrelas e a lua no céu!

Perplexo, ouvindo aquilo tudo, uma lágrima rolou no rosto do pai de Santo que ainda teve tempo de ouvir a última frase do seu filho de santo.

– Pai, obrigado por ter permitido entender o quanto que somos “pobres” aqui e o quanto eles são “ricos” lá!

Adaptado
Autor desconhecido


Axé a todos!
Charles Corrêa D’ Oxum


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