Uma religião africana de raiz

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Para muitos adeptos e iniciados nos candomblés da região sudeste do país, o Batuque do Rio Grande do Sul não é considerado como religião, por vários motivos que realmente me incomodam, talvez a causa maior seja o medo de abalar uma das mais fortes atrações turísticas da Bahia, pois não posso aceitar mulheres nas ruas vestidas com roupas e guias de religião vendendo acarajé, isto é apenas um pequeno exemplo.

Já por outro lado quando um dos maiores estudiosos de Nação Ketu, Pierre Verger esteve em Porto Alegre lá pelo ano de 1985, ao visitar uma Casa de Batuque, ficou surpreendido quando acompanhou um ritual, dizendo que o que ele escutava era Yourubá arcaico e aquela religião que ele via somente eram cultuada por tribos primitivas no interior do interior africano, em lugares que não sofreram a influencia dos povos brancos e até hoje cá estamos nós ainda utilizando a energia bruta como essência: a pedra e o sangue. Nossos filhos somente se ocupam de um Orixá, o Orixá como força da natureza, simples porém soberano como a água, a terra, o ar e o fogo, nossos Orixás não precisam de vestimentas alegóricas ao se manifestar no mundo, a Sua energia é tão pura que não cabe a nós comentarmos de sua manifestação, pois não somos merecedores dela, somos carne e osso que um dia irá se decompor. Aprendemos também em não excluir o preto e o branco, o que temos que fazer é agregar e ficar atento para as diversas energias existentes no mundo e quando necessário utilizá-las.

Para concluir esta etapa, penso que primeiro temos que estudar o assunto ao qual estamos inseridos, seja por vontade própria ou por força superior: na África fazendo um traçando na linha do Golfo de Benin, temos ao Norte os negros Sudaneses e ao Sul os Bantos, no culto dos Bantos, existia a veneração aos Orixás e aos espíritos de antepassados mortos, que vinham na terra com a autorização dos Orixás para dar conselhos, fazer curas materiais e espirituais, encontramos aqui as raízes mais profundas da conhecida Umbanda e me arriscaria, porque não a afirmar que aqui nesta influencia encontramos também o Candomblé, já no culto dos Sudaneses, que nos interessa aqui, os negros cultuavam unicamente os Orixás (Deuses sobrenaturais), sendo a ligação entre Olorum ( O Deus Supremo) e os homens da terra, encontramos aqui as raízes do Xangô da Bahia e do Batuque no Rio Grande do Sul. Neste caso os Orixás servem como a ponte para o Deus maior, intercedendo por nos. Assim sendo, eles recebem a toda a hora e momento nossos mas profundas necessidades e segredos, e o maior deles e a possessão do Orixá no cavalo-de-santo, pelo simples fato do segredo e que não somos merecedores de termos em nosso corpo, Aquele que se comunica com Olorum, e que não devemos comentar o que se passa com cada indivíduo dentro da Religião, inclusive conosco. Respeitando estes princípios básicos estaremos estreitando cada vez mais nossas relações com os Orixás que serão reforçadas com as obrigações de sacrifícios de animais, onde encontramos o elemento material e energético que melhor representa a vida, o sangue. Este e o básico do ritual que deve ser respeitado. Cada vez que um destes passos for desrespeitado, a relação que deveria ser estreitada, será afastada, chegando ao estremo, poderemos ate observar casos, supostamente já ouvido por todos ou ate mesmo vistos por alguns, que e a loucura e ou a morte.

Autor: Rodrigo de Xapanã
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